A relação entre trabalho e saúde mental é direta e inegável. Pesquisas recentes apenas confirmam aquilo que nós, do movimento sindical, testemunhamos diariamente: as condições de trabalho impactam profundamente o bem-estar psicológico dos trabalhadores e trabalhadoras.
A saúde mental não é um tema periférico, é central para a dignidade no trabalho.
Um estudo da Inmar Intelligence, por exemplo, entrevistou mil trabalhadores nos Estados Unidos e revelou um dado revelador: 34% relataram que o ambiente de trabalho contribui positivamente para sua saúde mental, enquanto 33% disseram sofrer impactos negativos. Essa divisão equilibrada escancara a urgência de repensarmos a estrutura do trabalho contemporâneo, colocando o ser humano no centro das decisões.
Entre os principais fatores que promovem saúde mental no ambiente corporativo, destacam-se:
- Segurança no emprego (45%)
- Carga de trabalho equilibrada (40%)
- Liderança acolhedora (40%)
- Flexibilidade nas jornadas (39%)
- Cultura organizacional saudável (38%)
Na contramão, comunicação ineficaz, excesso de demandas, ambientes tóxicos e a falta de reconhecimento são os elementos que mais adoecem. Infelizmente, essa é a realidade de muitos trabalhadores hoje.
Outro estudo recente, da Simon Fraser University (maio de 2024), apontou que quando há um ambiente acolhedor, a chance de um trabalhador falar abertamente sobre saúde mental aumenta em 55%. Por outro lado, o silêncio institucional sobre o tema está diretamente ligado ao crescimento dos afastamentos, ao agravamento de quadros de ansiedade e à queda na produtividade.
Esse cenário impõe uma responsabilidade ainda maior às empresas do setor farmacêutico. Estamos falando de um segmento que promove a saúde como valor central em seus produtos e campanhas — mas que precisa, urgentemente, refletir esse mesmo compromisso no cuidado com seus profissionais.
Propagandistas e vendedores de produtos farmacêuticos, que atuam na linha de frente da representação técnica e comercial, também têm o direito a um ambiente de trabalho saudável, humano e equilibrado. Isso exige das empresas uma postura ativa de respeito, escuta e sensibilidade no trato com a saúde emocional de suas equipes.
Nós, do SINPROVERJ, reafirmamos nosso compromisso com a saúde física e mental dos trabalhadores. Por isso, levamos essa pauta com seriedade para as mesas de negociação coletiva, assim como para os espaços institucionais e fóruns de debate onde seja possível construir avanços concretos.
Cuidar da saúde mental é cuidar da vida. E vida não se negocia: se protege, se respeita, se defende.
André Dias Lavatori
Presidente do SINPROVERJ
Vice-presidente da FEPRO-RJ


